Fiz uma trilha noturna na mata e olha no que deu

Oi meus amores, tudo bom?

Tá vendo esse nascer do sol LINDO ilustrando o post? Então, eu tirei essa foto no dia em que disse sim para uma trilha noturna. SIM. Uma trilha no meio da mata, a noite, com luzinha na testa e tudo. Sabe, eu já fiz algumas corridas de montanha, inclusive uma delas dentro de uma tribo indígina, e sempre gostei desses desafios, mas trilha triiiiiilha mesmo, dessas de verdade, nunca havia feito.

Daí a minha amiga Bah, que trabalha na Pura Vida Aventuras, uma agência especializada em trilhas de aventura, esportes radicais, contato com a natureza etc etc, me convidou para uma trilha noturna que eles iriam fazer no dia 30 de junho no Pico do Lopo que fica em…adivinha onde? Sim. Extrema-MG! Até outro dia nunca tinha pisado em extrema, e agora lá estava eu voltando para esse lugar duas vezes no mesmo mês. Universo, obrigada novamente!

E eu que nunca havia feito trilha nem de dia, já ia logo me enfiar na mata DE NOITE. No começo fiquei um pouco apreensiva em aceitar ou não o convite, mas como estou dando uma de Shonda Rhimes e dizendo sim para tudo aquilo que me assusta (leiam o livro “O ano em que disse sim!” escrito por ela, muda a vida…sério!), resolvi aceitar. E foi uma das melhores coisas que fiz, pois sabia que a recompensa de ver o sol nascer e de quebra me desafiar valeria muito a pena.

Logo quando encontrei a Bah e o grupo da Pura Vida Aventuras para pegarmos a van até lá já me senti segura e “em casa”. A energia de todos eles é ótima. A viagem foi bem tranquila, claro que eu fui capotando o trajeto todo e lá pela 1:00 da manhã chegamos ao ponto inicial da trilha.

galera reunida!

Ao descer da van: PAH: AQUELE CÉU ESTRELADO MARAVILHOSO DE EXTREMA. Sério, o céu de lá a noite é maravilhoso. Por mim o passeio já valeria só de ficar ali contemplando as estrelas, mas não, meu espírito Dora Aventureira estava lá pra fazer a trilha, foco!

Naquele momento colocamos nossas head-lamps e os instrutores nos deram uma cadeirinha e luvas, para cada um. Ah sim, a cadeirinha é porque na manhã seguinte iamos descer o pico de rapel, não contei isso ainda né? Ok, agora você já sabe. Se eu tava com medo disso porque nunca tinha descido de rapel na vida? SIM, ESTAVA. MUITO. Mas estou praticando o poder do agora e só ia pensar nessa etapa do rapel quando chegasse a hora. Uma coisa por vez.

Seguimos a trilha em direção a primeira parada: o mirante. Achei a trilha bem tranquila até ali, mesmo porque tava escuro então não vi muita coisa rs. No mirante a Dora dentro de mim explodiu de felicidade porque lá deitamos na pedra para contemplar o céu estrelado. Ficamos um pouco ali e seguimos  para a Pedra das Flores. Lá iriamos ver o sol nascer.

Ao chegar na pedra, como faltava mais ou menos uma hora até a chegada do sol, nos acomodamos por ali para tentar tirar um cochilo e comer um lanchinho. No nosso grupo, de mais ou menos umas 15 pessoas, estava Elô. E era aniversário dela.

Fizeram uma surpresa com um bolo lindo, cantaram parabéns, dividimos pedaços, demos muita risada. Foi um momento bem bonito, bem família e até agora não sei mesmo como eles conseguiram subir com um bolo daquele escondido nas costas e mantê-lo intacto. Se eles conseguiram essa proeza acho que consigo confiar neles para a hora do rapel, né? 😛

Bom, era chegado o momento do espetáculo: NASCER DO SOL NA PEDRA DAS FLORES. Não vou falar muito sobre esse momento, apenas que senti uma profunda gratidão por estar viva, por estar ali.

Depois dessa comteplação maravilhosa da natureza, de manhãzinha continuamos a trilha rumo ao Pico do Lopo. Daí começou a aventura MESMO!

nosso próximo destino: o pico do lopo

Para chegar lá no alto do pico, no ponto do rapel, teve até uma “escalaminhada”, com o auxílio de cordas e tudo. Ali já foi uma emoção e tanto e um desafio constante o percurso todo. A cabeça toda hora: “consigo, não consigo, consigo, não consigo”. Mas consegui sim senhores. Com a ajuda dos instrutores queridos e o apoio do grupo ficou bem fácil.

escalaminhada: um dos momentos que me perguntei: “o que eu tô fazendo aqui mesmo?”

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Finalmente chegamos ao topo do pico. Uau, que vista linda, valeu a pena todo o esforço! Lá fariamos o rapel. Pronto Camys, chegou a hora de pensar no rapel.

Deixa eu explicar uma coisa pra vocês: Eu tenho medo de altura. Mesmo tendo pulado de para-quedas eu tenho medo de altura. O que acontece quando você salta de um avião em queda livre é que você simplesmente se joga e quando viu já acabou, tipo arrancar um band-aid ou se depilar com cera, sabe? Ok, tirando as minhas péssimas referências, o que quero dizer é que diferente do para-quedas, rapel é um processo lento, rapel é você sendo responsável e tendo total controle da situação. Então na minha cabeça eu ficava toda hora “vou fazer merda, não vou ter força, vou me jogar na pedra, vou me ralar toda….”

DESCER OU NÃO DESCER O RAPEL

Enfim, estava decidida: eu não ia descer de rapel. Era opcional descer assim, pois depois do rapel, quem obtasse por fazê-lo teria que subir caminhando até onde estavamos para descermos todos juntos, então isso foi uma brecha pra eu me sabotar mais ainda. Fiquei bem quietinha lá vendo a galera descer e sem coragem de olhar pra baixo. Eu tava suando frio, juro. Mesmo com o treinamento em solo que a Bah nos deu, eu tava SUANDO FRIO.

Alguns com mais experiência descendo sozinhos, outros em dupla, alguns também com muito medo pois nunca tinham feito isso. Já eu tava no time dos “MEU DEUS O QUE EU TÔ FAZENDO AQUI COM ESSA GALERA LOUCA?”.

Até que do nada me deu um estalo. O estalo que me lembrou que eu estava lá pra me desafiar e superar os meus medos. Cadê a guerreira interior que você tinha despertado ali mesmo em extrema a uma semana atrás? CADÊ CAMILLA?! E é aquele ditado: o medo é temporário, o arrependimento é para sempre. Não queria voltar pensando como teria sido se eu tivesse feito rapel, arrependida de não ter ido, etc etc. Então respirei fundo e falei para o meu eu interior: OK! EU VOU. 

Mas com uma condição: se um dos instrutores descesse comigo. Como eles estavam cuidando muito bem de mim, foi fácil persuadi-los a isso! hahaha. Me senti muito segura o tempo inteiro da trilha pois eles fazem parecer fácil, então é isso: eu ia descer de rapel. E não podiam demorar muito se não eu desistia da idéia.

não lembro desse sorriso

Enquanto eles me preparavam, me prendiam na corda etc, eu simplesmente ABSTRAI TUDO O QUE FALAVAM. Eles estavam tentando me tranquilizar contando umas piadas, fazendo graça e eu só ouvia um zumbido. Só guardei mesmo a parte de como controlar a descida. Nesse momento, nos próximos 50 metros de altura, eu precisava focar no presente.

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No final consegui descer sã e salva. (UFA! Que bom né? Se não vocês nem estariam lendo isso aqui hoje). Com o apoio do Dida ao meu lado, sozinha de primeira assim eu não sei se conseguiria com tanta calma. Foi algo maravilhoso a sensação de me desafiar, o lance do rapel é que você mesmo controla tudo, então tem que confiar e acreditar em: você mesma acima de tudo. Não tem espaço pra pensamentos sabotares enquanto você tá ali descendo, então só vai. Vai que dá.

E fui. 

Quando coloquei os pés no chão fiquei até meio tonta sabe? Não tava acreditando muito bem que tinha feito aquilo e o pico de adrenalina tava altíssimo, mas deu tudo certo. A volta do rapel pela trilha e pedras estreitas também foi um desafio a parte. Enfim, consegui!

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A volta da trilha, que deu mais ou menos mais uns 3kms, foi ótimo também, apesar do cansaço. Sensação de dever cumprido, endorfina bombando, me sentindo viva e trocando experiência com pessoas que estavam na mesma vibe do que eu. Encerramos tudo com um belo almoço mineiro em um restaurante da estrada, delícia demais!

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Dizem que esse universo das trilhas é um caminho sem volta, e eu digo que enquanto eu tiver saúde,  pernas para andar, pulmões para respirar esse ar puro, e olhos atentos para comtemplar tudo o que a natureza nos oferece, eu vou sim continuar trilhando muitos caminhos por aí! 

camilla-pires-pico-do-lopo

bah linda ❤

Gratidão a  Bah e a equipe Pura Vida Aventuras pela sexta a noite mais louca e incrível que já vivi. Vocês sao maravilhosos e já quero logo a próxima! 😀

E vocês? Curtem fazer trilhas também? Comentem aqui embaixo as aventuras que vocês já fizeram ou tem vontade de fazer! Me segue também no insta para acompanhar as fotos que eu tenho postado por lá 🙂

Beijos!

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3 comentários sobre “Fiz uma trilha noturna na mata e olha no que deu

  1. Carla Cristina Arruda Cassiano disse:

    Camila, dia 26/08 estarei lá… no Pico… e com a Pura Vida tudo fica mais tranquilo e divertido.
    Se estiver sem fazer nada aí . . Bóra viver a aventura denovo… rs. Adorei o texto e as fotos ficaram lindas. Parabéns por sua superação. Bj

  2. Diógenes (Dida) disse:

    Fala cammys, sua lindona, lindo texto, obrigado pela menção, pela história e pela confiança. Vc foi demais !!! E sorriu sim, várias vezes… kkkk

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